
Moda
A moda pode ser considerada um signo de uma sociedade, definida ao mesmo tempo por sua economia e ideologia, estando presente para definir o modo de vida de uma época.
A moda é sustentada por certos grupos produtores que são responsáveis pela renovação do vestuário. Certamente, de um ano para outro, a moda pode proceder por contrários, fazendo alternar os termos simples de uma mesma variante: os “crepes maleáveis de seda” vem substituir os “rijos tafetás”.
Ao se comparar silhuetas captaríamos sem dificuldade a transformação dos traços da moda. Ela se estrutura no nível que dela percebemos: a atualidade. A estrutura combinatória da moda é transformada miticamente em fenômeno gracioso, em criação intuitiva.
A retórica da moda converte real em mito. E uma das funções dessa retórica é confundir a lembrança das modas passadas, de modo a censurar o número e a volta das formas. Para isso, ela desacredita os termos da moda passada, euforizando os da moda presente. Joga com sinônimos, fingindo tomá-los por sentidos diferentes; multiplica os significados de um mesmo significante e os significantes de um mesmo significado.
A moda sempre fez parte do homem, da Grécia aos dias atuais. O consumidor da moda vive mergulhado numa desordem que é logo um esquecimento, pois que faz ver o atual através de um novo absoluto.
por Maria Ivone Dêgelo
mestranda em Arte pela USP
Bibliografia: BARTHES, Roland. Sistema da Moda. Cia Editora Nacional – USP. São Paulo, 1979.